Recebendo e passando o bastão

Stephen Coertze recorda uma vida inteira de preparação

Stephen Coertze

Quando Stephen Coertze tinha 8 anos, sua professora da escola dominical perguntou à classe: “Se você tivesse um desejo, qual seria?”

Com uma mente criativa, mesmo com a pouca idade, Stephen disse que desejaria uma varinha mágica.

“Achei que poderia realizar todos os meus desejos”, lembra ele.

A professora pareceu surpresa com o filho do pastor. Ela respondeu, com lágrimas em seu rosto: “Por que você não prefere pedir que todas as pessoas no mundo possam ter a Bíblia em seu idioma?”

Stephen rapidamente concluiu que sua varinha mágica também poderia realizar esse desejo. Mas ele sempre recorda das palavras dessa mulher rural sul-africana.

“Ela viveu uma vida muito simples”, diz ele hoje. “E para ela, naquela fase na África do Sul, isolados do resto do mundo, ter uma compreensão das comunidades linguísticas em todo o mundo sem o acesso às Escrituras, isso foi impressionante. Eu cresci no núcleo da vida na igreja, com meu pai exposto ao que estava acontecendo em toda a denominação ou em todo o mundo, e ele nem sequer teve essa visão ou entendimento naquela época.

“Então, para essa professora da escola dominical dizer isso… Foi algo muito significativo que o Senhor trouxe à minha vida naquele momento.”

A importância da África do Sul

Assim começou a história singular e vitalícia de Stephen em se tornar diretor executivo da Aliança Global Wycliffe. Parte da Polícia da África do Sul durante os últimos dias do aparthei, pastor, diretor da Wycliffe África do Sul e agora, este novo desafio.

Hoje, Stephen pensa menos em usar uma varinha mágica e mais em passar o bastão. A importância geográfica e cultural de seu país sempre esteve à vista.

“A África do Sul é um país único”, diz ele. “Toda a nossa existência tem sido um movimento de Deus, mesmo com as coisas boas e ruins associadas à África do Sul.”

Antes do Canal de Suez criar um atalho em meados do século XIX, a África do Sul era um ponto intermediário para os navios que navegavam da Europa Ocidental para a Ásia. William Carey, muitas vezes chamado de pai das missões modernas, parou na Cidade do Cabo a caminho da Índia em 1793. Ele descreveu o posto avançado como “as partes mais remotas da terra”, um lugar onde o leste e o oeste convergiam. Carey propôs uma conferência global de missões em 1810 na Cidade do Cabo. O que não chegou a acontecer, mas 200 anos depois, o Terceiro Congresso de Lausanne foi realizado lá, pelo mesmo motivo.

Momento crucial

Durante seu mandato na Wycliffe África do Sul, Stephen participou do ICON 2002, uma reunião conjunta dos tradutores da Bíblia da Wycliffe e da SIL International. Um dos palestrantes era Andrew Walls, historiador britânico da missão. Walls apresentou um artigo acadêmico, propondo que o cristianismo estava desfalecendo no centro e crescendo na periferia. A igreja ocidental, disse ele, precisava entregar o bastão da liderança moral cristã aos líderes das igrejas de países subdesenvolvidos.

Acostumado com apresentações acadêmicas, Stephen ouviu atento e criticamente. Então tudo mudou.

“De repente, senti como algo como uma martelada na minha testa, uma luz forte me cegando e uma voz dizendo: YVocê mora em um país onde existe a igreja Ocidental e a igreja global. O que você vai fazer para entregar o bastão?

Espantado com a pergunta, Stephen passou o ano seguinte pensando sobre isso. Ele discutiu a renúncia e aconselhou a diretoria a nomear um sul-africano negro como diretor. Nem ele nem o conselho administrativo tinham paz ou orientação quanto a ideia.

Em um encontro da diretoria, ele mencionou ao professor Piet Meriring que não tinha interesse em estudos acadêmicos adicionais.

“Se você quer que a igreja na África o leve a sério, você precisa de um doutorado”, disse Meriring.

O momento se mostrou profético, não apenas para Stephen, mas também para a Aliança e a SIL. Seu Ph.D. o ajudou a definir a ênfase missiológica da Aliança e da SIL. Também abriu o caminho para o diretor da Aliança, Kirk Franklin, realizar seu Ph.D., o que ajudou a definir a direção futura da Aliança. Eventualmente, Stephen passaria da posição de diretor da Wycliffe na África do Sul para consultor missiológico da Aliança Global Wycliffe.

Quando ele se afastou da Wycliffe África do Sul, a organização deixou de ser financiada pelos Estados Unidos e foi direcionada a ser financeiramente independente, com uma equipe predominantemente africana.

Esse passe de bastão foi visto por toda a Aliança.

Ele diz, “ver a reformulação das estruturas de uma abordagem institucional linear para uma comunidade abrangente, onde todas as organizações podem ter oportunidades iguais e voz, é emocionante”. “Ao ouvir a uma grade variedade de vozes, estamos alcançando uma compreensão mais completa da imagem de Deus e, portanto, também uma compreensão mais completa de nós mesmos.”

A família Coertze. Da esquerda para a direita: Stephen, Lezelle, Ivan e Natasha.

Chamado da família

Stephen e sua esposa, Lezelle, irão comemorar seu 30º aniversário de casamento em 2020. No início do casamento, eles se comprometeram a servir a Deus em tempo integral na missão, embora não soubessem onde e como. Eventualmente, foram levados à Wycliffe África do Sul.

“Não havia nada auspicioso ou místico no nosso encontro missionário de tempo integral”, diz Stephen. “Foi um trabalho árduo, com suor e lágrimas, e muitas vezes mais doloroso do que edificante. Mas essa foi a nossa situação por 14 anos. Entre lágrimas, inúmeras lições de fé, bondade, misericórdia e a presença de Deus em nossas vidas nesse tempo; tudo está gravado em nossas memórias.”

O apoio de Lezelle e de seus dois filhos foi fundamental para a decisão de Stephen em se candidatar ao cargo na Aliança Global. Natasha (27), e Ivan (23), moram em casa, e a família é próxima.

“Lezelle foi a primeira a me encorajar a seguir esse cargo”, diz Stephen. “Tivemos longas e inúmeras discussões em processar vários aspectos de como isso nos afetaria como família. Seu apoio não mudou.”

Lezelle atua como conselheira em uma escola para crianças com deficiências intelectuais graves. Natasha é mestre em psicolinguística. Atualmente, trabalha como professora de música e toca violino em uma orquestra sinfônica. Ivan está cursando um mestrado em ciências forenses, especificamente relacionado à entomologia.

A casa da família geralmente é cheia de música clássica e cristã… junto com uma variedade de animais de estimação: um pastor alemão, dois papagaios, uma tartaruga (de Nathasha) e duas aranhas grandes (de Ivan).

Eles frequentam a igreja na Rosebank Union Church em Sandton, um subúrbio ao norte de Joanesburgo.

Todo mundo significa todo mundo

Stephen costuma pensar no momento da escola dominical em que a tradução da Bíblia chamou a sua atenção. Mais tarde, sua professora se tornou um dos primeiros parceiros financeiros de Stepen e de Lezelle em seu trabalho em Wycliffe. Anos após sua morte, eles ainda recebem US $ 20 por mês de sua propriedade.

De certa forma, ele completou um ciclo, assim como a tradução da Bíblia está completando um seu ciclo. Uma imagem global autêntica pode significar não apenas entregar o bastão à igreja global, mas também envolver novamente a igreja ocidental. Ninguém mais ficará à margem.

“Não é apenas algo de uma igreja não ocidental”, diz ele. “Esse é um ministério global que inclui todo o corpo de Cristo.”

 

Artigo de Jim Killam, Aliança Global Wycliffe

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