Preparando a mesa

Uma forma de a Aliança Global Wycliffe incentivar a colaboração no movimento de tradução da Bíblia, é preparando mesas – em outras palavras, facilitar as discussões necessárias com as pessoas e organizações certas presentes.

Na região das Américas da Aliança, isso está acontecendo em 12 países diferentes, com reuniões que são chamadas de mesas nacionais de tradução da Bíblia. Os líderes de todos os ministérios que contribuem para o movimento em um determinado país, estão se reunindo com o espírito de amizade, colaboração e oração.

David Cardenas

“São líderes ministeriais em um país, servindo na tradução da Bíblia e no uso das Escrituras, com a visão de comunidades sendo transformadas pela Palavra de Deus”, diz David Cardenas, o Diretor de Área para as Américas da Aliança, que está localizado em Bogotá, Colômbia. “Aprendemos como desenvolver modelos de tradução da Bíblia em colaboração para facilitar o envolvimento da igreja, fortalecer a amizade entre os líderes, promover a generosidade bíblica, e muito mais. O que queremos ver na tradução da Bíblia, na colaboração, está acontecendo nessas mesas, ou ainda irá acontecer.

“Uma mesa é uma comunidade – um lugar de companheirismo e convívio de um com o outro”, acrescenta ele. “É como uma praça municipal, onde diferentes vozes de diferentes origens culturais, denominacionais e organizacionais podem ser ouvidas e levadas em consideração, para servirem juntas”. É um lugar onde novas amizades, novas possibilidades estão se desenvolvendo”.

Embora existam mesas atualmente em 12 países diferentes, não é preciso muita imaginação para visualizar a ideia se expandindo regionalmente, e até mesmo globalmente. Em 9 de junho, está prevista uma reunião virtual para todos os que participaram de qualquer uma das 12 mesas. Esperamos mais de 100 pessoas, diz David. As reuniões individuais da mesa, são muito menores que isso, é claro, mas a reunião de junho facilitará a descoberta e a discussão de questões comuns. Uma delas é quando países como a Colômbia e o Panamá compartilham a fronteira e o mesmo grupo de pessoas vive em ambos os lados. Essas conversas podem poupar as equipes de tradução de fazer esforços em dobro.

“Esse é o tipo de colaboração que imaginamos”, diz David. “Compartilhando experiências, compartilhando recursos”. É isso que queremos ver entre os países”.

Na reunião de março de 2022 da mesa peruana, líderes de organizações nacionais, mapearam o modo como estão se conectando e colaborando na tradução da Bíblia no Peru. “Esse mapa é um exemplo de um sistema complexo magnífico a nível nacional”, diz David Cardenas.

Uma conversa inclusiva

“Algo que descobrimos, foi que todos os países da América Latina têm uma história de tradução da Bíblia”, diz David. “E existe progresso na tradução acontecendo na maioria dos países atualmente. Portanto, tivemos muitos ministérios trabalhando, mas com pouco diálogo ou colaboração”.

Na maioria desses países, existe pelo menos uma organização da Aliança, além de Sociedades Bíblicas, redes indígenas, denominações de igrejas e ministérios internacionais – todos traduzindo a Bíblia de alguma forma. Às vezes, o trabalho estava sendo duplicado. Outras vezes, havia uma concorrência acirrada, diz David. Alguns grupos se sentiram completamente deixados de fora da conversa.

“Também descobrimos que temos organizações e igrejas indígenas, esperando para participar da tradução da Bíblia”, diz ele, “mas elas não foram consideradas nos processo de tomada de decisão”. Portanto, temos igrejas e redes indígenas que não fazem parte de algo maior”.

Anos atrás, poderia parecer impossível ver pessoas de mais de uma dúzia de ministérios diferentes na mesma mesa, colaborando na tradução da Bíblia. Os líderes compreendem que Deus está unificando um movimento, em ambientes onde todas as vozes carregam o mesmo peso.

“As novas vozes devem ser ouvidas”, diz David. “As igrejas indígenas precisam ser ouvidas. As vozes mais altas precisam ouvir as vozes mais baixas. Portanto, as mesas são lugares de polifonia. É um lugar de policentricidade, porque cada mesa está tomando decisões para o movimento”. 

Noções básicas sobre a mesa

Uma vez que a primeira mesa foi estabelecida no Brasil, com o apoio da AMTB, a equipe de liderança da Área das Américas ajudou a estabelecer a mesa na Colômbia naquele mesmo ano. Américas. Em 2019, as mesas iniciaram na Guatemala, México, Venezuela e Peru. Depois que a pandemia chegou em 2020, as mesas se reuniram virtualmente na Bolívia, e então em 2021 houve a adição de El Salvador, Equador, Panamá, Nicarágua e República Dominicana. Hoje, mais de 160 líderes de mais de 140 ministérios participam dessas 12 mesas nacionais.

Os princípios orientadores identificados nessas mesas são:

  • Amizade
  • Unidade
  • Diálogo
  • Colaboração
  • Diversidade
  • Respeito
  • Nenhum trabalho duplicado
  • Nenhuma competição
  • Generosidade
  • Confiança.

“Portanto, esses são os 10 valores fundamentais que os participantes se comprometem a respeitar e se portar com honra uns aos outros naquela mesa”, diz David.

À medida que uma mesa se encontra e cresce, emerge uma cultura e uma missão comum. Os propósitos identificados são: atualizar e compartilhar informações; completar a tarefa pendente; influenciar o uso das Escrituras; fortalecer a amizade, unidade e colaboração; facilitar a participação da igreja; e encorajar a generosidade bíblica.

Esse primeiro item, atualizar e compartilhar informações, provou ser imensamente valioso. Organizações nacionais ou internacionais podem ter seus próprios dados, mas nem todos na mesa tem acesso – e nem sempre é preciso. Quando todos podem contribuir e compartilhar os mesmos dados, melhores decisões podem ser tomadas sobre prioridades e urgência dentro do país.

“Por exemplo, na Colômbia, temos 11 novas atividades de pesquisa para confirmar se os grupos precisam ou não de tradução da Bíblia”, diz David. “Isso porque a mesa está tomando providências colaborativas sobre o que consideram necessário na Colômbia, e de como podemos resolver isso, como podemos fazer melhor”.

Outro motivo pelo qual as mesas têm funcionado é que elas criam um “terceiro espaço”. Quando representantes de diferentes organizações interagem, o contexto cultural, idioma e ambiente familiar deles podem entrar em conflito. Um terceiro espaço proporciona um terreno neutro entre eles, onde as pessoas podem trabalhar juntas. Durante a pandemia, o Zoom proporcionou um terceiro espaço. Para as reuniões presenciais, a atenção é voltada para a escolha de um ambiente onde todos estejam em pé de igualdade.

Montando uma mesa

As mesas nacionais começaram pequenas, geralmente com uma organização da Aliança desempenhando um papel principal, com a ajuda da equipe de liderança da área na decisão sobre quem convidar inicialmente. Normalmente é um grupo de cinco ou seis pessoas para iniciar. Na América Latina, a rede de missões COMIBAM e as Sociedades Bíblicas nacionais são representadas normalmente. As denominações das igrejas geralmente vêm logo em seguida, e são de alta prioridade; se já são organizações da Aliança, elas são incluídas desde o início.

“É importante distinguir o ambiente de colaboração em um país”, diz David. “Em alguns países da América Latina, a colaboração é algo bom. Em outros, a competição e a duplicação fazem parte da cultura. Então, como você desafia essa cultura? (…) E para isso, a Aliança tem sido muito importante, porque ela é confiável e positiva para muitos. A Aliança é uma comunidade, então como temos certeza do que é a Aliança e o tipo de missão que temos, isso se torna mais confiável para as organizações”.

Então, à medida que as reuniões iniciais acontecem e mais organizações e líderes são apontados, o papel da Aliança passa para segundo plano, mais como influenciadora do que organizadora. Uma forma importante de isso acontecer, é realizar retiros no terceiro espaço.

“Eles têm sido tão especiais para conectar as pessoas, porque normalmente nos conectamos uns com os outros para negócios – o que temos que fazer”, diz David. “Mas quando a amizade vem antes dos negócios, a qualidade da colaboração será mais especial”. Esse é o tipo de ambiente que temos na Colômbia, no Brasil, em El Salvador e na Guatemala. Nós, como aliança, facilitamos esses retiros. Um, dois dias, tendo uma agenda espiritual, mas tópicos chave para discutir juntos (…) O tipo de amizade que está sendo construída é tão especial”.

O retiro mais recente da mesa foi em fevereiro, na mesa da Colômbia. Dezoito organizações foram representadas. “Então é interessante como começamos com seis, e agora somos 18 organizações”, diz David, “mas essas 18 estão trabalhando juntas na tomada de decisão para a Colômbia, para o avanço da tradução da Bíblia”.

“Em alguns países onde a mesa está avançando, elas estão tomando conta do processo. Isso é um bom indicador, que elas reconhecem que isso é tão importante para elas”.

Os participantes da mesa percebem rapidamente o valor dessa experiência única. A maioria nunca tinha visto esse tipo de rede na tradução da Bíblia.

“Fazemos uma atividade chamada mapeamento de sua rede”, diz David. “Eles percebem que tipo de relacionamento têm uns com os outros. Eles percebem que os outros estão fazendo um bom trabalho, e se sentem incentivados por estarem conversando com eles. Eles percebem o que está acontecendo ou não, e então dizem: ok, vamos lá no terceiro espaço sobre a tradução da Bíblia e continuamos”.

“Para apoiar o sistema de mesa redonda, recentemente formamos uma equipe periférica de nove líderes influentes na América Latina, que representam várias organizações regionais, ao mesmo tempo em que participam da mesa redonda de seu país. A missão desse grupo é cuidar dos valores e propósitos como, acompanhar cada mesa em seu desenvolvimento”.

Da reunião de março de 2022 da mesa de tradução da Bíblia nacional peruana.

Uma Visão Global 

David espera que as mesas que estão se desenvolvendo nas Américas, sirvam como um modelo de colaboração – reunindo líderes, organizações e denominações para conversação, oração e planejamento sobre a tradução da Bíblia.

“Porque normalmente o que eu vejo é que em outros países; existe uma organização da Aliança por país”, diz ele. “E nesse momento, muito do poder, da informação e do conhecimento pertence a essa organização da Aliança. Mas se eles desejam construir uma comunidade com mais participação, mais generosidade, mais organizações, talvez a mesa possa ser um modelo a ser seguido e experimentado. Eles podem experimentar um conceito de terceiro espaço, para que possam trazer outros e ter uma conversa em comum e uma pauta comum.

“E é claro que a organização da Aliança desempenha um papel fundamental, mas também pode inspirar outras organizações a ver a tradução da Bíblia como algo que pertence a todos no corpo de Cristo. Portanto, isso é algo que eles podem observar, seguir e experimentar”.


História: Jim Killam, Aliança Global Wycliffe

As organizações Aliança podem baixar e usar as imagens deste artigo.

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