Evangelismo global: a tradução da Bíblia busca propósitos em comuns

O movimento de tradução da Bíblia não precisa ser lembrado de que é um elemento chave da Grande Comissão. Embora o nosso foco vocacional não seja propriamente no evangelismo, há oportunidades surgindo para que as organizações de tradução da Bíblia colaborem, como nunca antes, com as redes globais de evangelismo.

“Na tradução bíblica, com frequência falamos sobre o envolvimento com as Escrituras, pois é por meio da interação com a Palavra e do relacionamento com Cristo que a transformação ocorre”, diz Stephen Coertze, diretor executivo da Aliança Global Wycliffe. “Esta transformação inclui ter fé em Cristo e viver com base nela. Nesse sentido, podemos falar da tradução da Bíblia como evangelismo”.

Em julho de 2021, a Aliança Evangélica Mundial lançou a Rede de Evangelismo Global, “para enfatizar de maneira renovada o seu papel histórico de unir os evangélicos a fim de proclamar as Boas Novas de Jesus Cristo”.

Samuel E. Chiang

“É hora de rever o modo como o evangelismo precisa ser promovido e trabalhado na igreja”, diz Samuel E. Chiang, diretor executivo da nova rede e veterano dos movimentos de oralidade e tradução da Bíblia. “Há ainda um pensamento de que o evangelismo e a teologia do evangelismo não são robustos. É preciso haver mais conversas sobre isso”.

Em Efésios, Paulo menciona o evangelismo como um chamado da igreja. Isto tem várias partes, diz Samuel — mas nenhuma é mais importante do que traduzir a Palavra de Deus para os idiomas das pessoas que estão sendo alcançadas.

“A tradução da Bíblia é crucial não apenas por ser a linguagem do coração das pessoas, mas a tradução dá às pessoas a capacidade de falar a própria palavra de Deus”, diz ele. “Essas são coisas muito especiais, e a tradução bíblica é uma parcela muito importante e crucial da expressão do evangelismo”.

Uma palavra que continua aparecendo tanto no evangelismo global quanto na tradução da Bíblia é o policentrismo. Em vez de um movimento centrado em uma organização ou rede, as coisas vão acontecendo em vários lugares com vários líderes e de maneira variada. Para ilustrar, Samuel diz, pense no termo Vale do Silício. Ele surgiu como um centro de tecnologia no norte da Califórnia, mas agora passou a significar qualquer lugar onde um grande número de empresas de tecnologia está localizada. A cidade de Bangalore é um Vale do Silício. Bem como Shenzhen, China. Austin, Texas, está se tornando um. E haverá muitos outros.

“No mesmo sentido”, diz Samuel, ” o que ocorre com o evangelismo e as redes, é que há uma infinidade de locais que têm suas próprias redes locais em movimento. Há várias redes que estamos analisando, não apenas nos conectando, mas do ponto de vista da Aliança Evangélica mundial, se pergunta: como servimos bem a igreja nesses locais?”

Uma rede de redes

As redes mundiais de evangelismo se sobrepõem, e pode ser difícil acompanhar quem é quem. O Movimento GO se tornou um ponto de encontro. GO é uma rede ampla e variada que inclui a Aliança Evangélica Mundial; redes de evangelismo na África, Ásia e América Latina; e organizações tais como: Cru, o projeto do filme JESUS, JOCUM e mais de 135 outras, incluindo várias organizações da Aliança Global Wycliffe. GO significa Alcance Global, que tem como slogan ” todo crente é uma testemunha”. A meta do movimento, anunciada em 2020, é ambiciosa:

“Desejamos alcançar todas as pessoas da terra, com o Evangelho, nos próximos 10 anos. Das maiores cidades metropolitanas às menores aldeias não alcançadas. Não deixaremos ninguém sem ouvir do Evangelho”.

Steve Douglass, presidente emérito da Cru (Campus Crusade for Christ International) disse o seguinte sobre o Movimento GO:

“Não temos certeza para onde ele está indo, mas Deus aponta para algo maior. Isso me faz acreditar que Deus está causando um crescimento em seu movimento na terra. Juntamente com os milhões que participaram do GO 2020, temos o privilégio incrível de fazer parte desse crescimento”.

Outra rede de evangelismo é chamada de Finishing the Task (Finalizando a Tarefa), que tem por objetivo “uma Bíblia, um crente e um corpo de Cristo” acessível a todos na terra até 2033. Rick Warren, pastor fundador da Saddleback Church (Igreja de Saddleback) no sul da Califórnia, atua como diretor executivo da rede.

Há outras: A Global Alliance for Church Multiplication (Aliança Global para Multiplicação de Igrejas, Billion Soul Harvest (Colheita de Bilhões de Almas) e Transform World (Transforme o Mundo), citando apenas algumas. Como então, conectar as redes? Principalmente quando pessoas em diferentes lugares têm prioridades e estratégias diversas? Facilitar a tradução local das Escrituras e os recursos para tal é algo fundamental, diz Samuel — igrejas utilizando materiais nativos, produzidos localmente e depois deixando seu povo compartilhá-los entre suas próprias redes.

“O que tem sido engraçado de ver, é que alguns pastores estão criando conteúdo local, onde pegam esse conteúdo emprestado, misturam e fazem algo novo”, ele diz. “Ao final de um culto na igreja, alguns dos nossos amigos comentaram: você poderia deixar esse vídeo na tela um pouco mais — mais 10 ou 15 minutos — com um QR code, para que as pessoas da congregação possam apontar os celulares e tirar uma foto, então baixam o material e depois passam para outras pessoas para que elas alcancem outras?”

“Tem muita coisa acontecendo”, acrescenta, “mas o principal é localizar e capacitar pessoas”.

Uma esperança pós-pandemia

Como o mundo esperando emergir em breve das restrições da pandemia, a Rede de Evangelismo Global prevê que mais cristãos vão passar por uma mudança de mentalidade, de isolamento para encarnação e depois para convocação, diz Samuel.

“E como funciona essa trajetória?” ele pergunta, de maneira retórica. “Como pensamos em enviar mensagens e preparar pessoas para isso? Há muito material de pré-evangelismo que pode preparar as pessoas, incluindo material sobre práticas mentais saudáveis”.

Em especial na América e no Ocidente, o uso pesado das mídias sociais pelos cristãos pode funcionar de maneira contrária à mentalidade evangelística, pois promove uma dinâmica “nós contra eles”. Por exemplo, sem o conhecimento da maioria dos cristãos, 19 dos 20 sites cristãos mais clicados no Facebook em 2019 foram produzidos por “fazendas de trolls” na Europa Oriental e na Rússia. O objetivo deles era criar divisão e medo. Samuel chama isso de “uma mão invisível que atacando o cristianismo”.

“Os algoritmos de mídia social reforçam essa divisão”, ele diz. “Esse é um caminho diferente e que chama a atenção das pessoas —exceto na questão do testemunho, é mais sobre “de que lado você está?”

Ele reconhece que os hábitos de mídia social das pessoas são difíceis de se quebrar. “Mas com respeito ao evangelismo e discipulado, acho que tem que ser continuamente intencional, pensando em nós mesmos como testemunhas. Somos muito mais capazes do que nos permitimos entender sobre nós mesmos. E é esse testemunho que tem que se destacar e ser vivido especificamente”.

Maio de 2022: Alcance Global (GO)

Para a próxima década, a Aliança Evangélica mundial, juntamente com o movimento GO, está separando o mês de maio como o mês GO com um apelo para o evangelismo pessoal e a igreja global orando em prol disso. Começa no domingo, 1º de maio, com um dia global de oração por testemunho e envio.

“Quando as congregações se reunirem naquele domingo, irão orar e enviar toda a igreja”, afirma Samuel. “Não distinção se você é missionário ou não”. Você está em uma igreja, você é testemunha, nós (a igreja) vamos enviar você”.

O último sábado de maio é designado como o Dia GO, com um chamado para todos os crentes compartilharem o evangelho com pelo menos uma pessoa.

A Aliança Global Wycliffe e nossos parceiros são incentivados a participar do Mês GO e a colaborar com as igrejas em seus respectivos países. Mais informações e materiais de treinamento podem ser encontrados aqui.

 

História: Jim Killam, Aliança Global Wycliffe

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